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CONTO EROTICO

( conto especial )

A DOR E O PRAZER:

Na época da faculdade, resistindo firmemente aos assédios, a popular Lívia era a mais disputada do campus. Após a formatura, porém, o jogo se inverteu. Ela era a garota mais popular de sua turma, relacionava-se muito bem com o corpo docente e os alunos. Prestativa, irreverente e inteligente, adorava ser cupido para suas colegas, e até jogava futebol com os rapazes. Pouco estudava, e tirava as maiores notas da classe. Adorada por todos, seria a fiel e perfeita amiga, se fosse apenas carismática. Mas era bonita, atraente e muito gostosa. Difícil para os cordeiros omitirem por muito tempo seus dentes afiados de lobos famintos. Às escondidas, apostas rolavam. Aquele que a levasse primeiro para a cama ganharia o troféu de "picão". Mas ela respondia às cantadas com charme e graça. Lisonjeada, recusava as propostas de namoro. Restava aos garotos reproduzir na imaginação as pernas longas, delgadas e morenas, os mamilos pequenos e eretos, o avantajado traseiro, a vagina proeminente e, balbuciando "Líííívia", borrar nas cuecas o sumo púbere da libido. Assim foi por longos anos até chegar o dia da entrega do canudo. Entre os formandos, depois de pegar seu diploma, a aluna, levemente alcoolizada, chamou os rapazes de sua turma, mais de uma dezena, para cochichar num canto. Em seguida, saiu da festa, como uma cadela no cio, rodeada por machos. Numa sala de aula vazia, uma folia reservada e eufórica se pronunciaria. Fora os doze garotos, apenas as janelas testemunharam o vestido arregaçado mostrando o corpo voluptuoso na mesa do professor. Nua, alguns garotos imobilizaram suas mãos, outros, os pés, para poderem possuí-la... A deusa perfeita se oferecia e, no fundo de suas entranhas, foi penetrada inúmeras vezes. Um de cada vez sentiu a seiva de seu sexo desabrochado. Os berros da bacanal ecoaram pelos saguões do prédio, abafando-se com o som do baile. Mesmo sem ter qualquer tipo de intimidade com a estudante, tinha certeza de que ela não faria o que se ouviu nos corredores universitários. A notoriedade de sua devassa generosidade alastrou-se, como aquela que atendeu aos desejos de todos, não apenas de um. E de uma só vez. Blasfêmia! Recusava-me a acreditar nessa história, não tinha sido bem contada. Sou homem, sei o que acontece com o ego diante da rejeição feminina. Mas Lívia nunca pôde se pronunciar. Alguns anos depois, encontrei-a num bar. Ela me sorriu, e me abraçou. Não esperava que se lembrasse de mim, nunca fui seu professor, mas jamais teria me esquecido de seu carisma e de seu rabo. Perguntou se esperava alguém e se podia sentar-se comigo. Eu estava sozinho e assim continuaria se ela não aparecesse. Tomou assento ao meu lado, insinuando os seios, os mamilos sob a blusa transparente. Seu comportamento estava mudado, um pouco vulgar. Senti meu pau duro como uma viga. Ela percebeu, sorriu e acariciou minha perna. Perguntei se queria beber algo, ela disse que não e alisou meu peito. Nunca fui de contar vantagens, mas era a mim que ela queria, e parecia estar a fim de sexo. O garçom trouxe-me whisky. Resolvi beber num só gole. Engasguei-me. Ela riu. Resolvi puxar assunto: - Você vem sempre aqui? Ela não respondeu, mas gargalhou. Aproximou-se: - Você seria capaz de me fazer um favor? Sem pensar, disse sim. - Preciso que me leve a um lugar. - Mas que lugar? - Não posso falar aqui, mas é muito importante. A reserva sexual que conheci em outros tempos transformou-se numa arma de sedução. Seria mesmo viciosa? Meus olhos e minha intuição me enganaram? Estava arrasado: há pouco, desafiando as estatísticas, estava sendo seduzido pela garota mais gostosa que já tinha visto, tive uma ereção de primeira e depois descobri que ela estava me usando, fingindo interesse em troca de uma carona. Quem ela pensava que eu era? Um trouxa, um idiota? Que preço baixo cobrava! Engoli minha ira junto com a saliva e aceitei levá-la. No carro, Lívia mudou. Apenas falava para indicar o caminho. O silêncio fez-me pensar milhares de besteiras. Já que lhe fazia um favor, nada a perder, e, no meio de um soluço, perguntei se era verdade o que disseram sobre a festa particular que deu para os amigos da faculdade. Não respondeu, e consentiu. Acusei-a, sem medo das conseqüências. - Custei a acreditar, mas agora sei bem quem você é... Como me enganei! E aí, gozou? Gozou com todos eles? Seus olhos lacrimejaram: - Você não sabe de nada! Enxugou as lágrimas de crocodilo. Eu não estava com dó. O álcool tinha alterado meu discernimento da realidade e atingido o sistema nervoso. Encorajado, a desafiava, estava realmente agressivo: - Sou um tolo. Fui o único a dizer que era boato o que falaram a seu respeito... Não que me importe que seja uma viciosa, mas... Ela me interrompeu e mandou-me parar o carro. Havíamos chegado a um condomínio de luxo. Lívia desceu do carro e disse: - Vai ficar aí, com essa cara de traído? E sorriu: - Você é meu convidado. Gentilmente tirou-me do carro. À força. O nó em minha cabeça, ao invés de se desfazer, enroscou-se mais ainda. Beijou-me a boca. Acalmei-me, sentia-me menos usado. Pelo menos estava aproveitando. Usufruiria sua "generosidade". - Se você se comportar bem, na hora certa, conto tudo o que quer saber - disse-me. Achei seu tom de voz sinistro e não sabia o que me aguardava. Apenas a segui. Fomos recebidos por um casal de meia idade elegante e simpático. - Seu parceiro é de confiança? - Sim. Comecei a desconfiar que ali era um cassino clandestino. Entramos na sala. Havia mais dois casais, um com seus trinta e poucos anos e o outro um pouco acima dos quarenta. Não vi mesa de jogos, dados, cartas, roletas, nada. Um garçom serviu-nos champanhe francês. Lívia cumprimentou a todos e me apresentou. Permanecia mudo ao seu lado, e sabia que a qualquer momento uma sala de jogatinas surpreender-me-ia. Estava começando a gostar da idéia. Adorava jogar, mas nem sempre tinha a oportunidade de fazê-lo. Contava que as apostas fossem baixas, não estava com muito dinheiro e, pelo visto, ninguém apostaria valor inferior ao das jóias que usavam. Nos sentamos. Lívia era o centro das atenções, quem apostava mais alto e decidiu apostar... em mim. Pediu para que eu apertasse com força seus pulsos, percebi que havia hematomas nele. Fiz o que pediu, e, louco de tesão, beijei-a. Ela correspondeu-me. Enfiou toda a língua em minha boca e a passou em meus dentes. Seus mamilos pontudos tocaram meu corpo. Lívia mostrava-se à vontade ao exibir sua libido àqueles convidados, também não me importei, não devia nada a ninguém e a ajudei na performance. Abraçávamo-nos, roçando um no outro, dedos escorregavam pelo corpo, por lugares escondidos, queríamos arrancar nossas roupas com os dentes, suas mãos pareciam mais de duas, era excitante, mas um pouco estranho. Subitamente, abri os olhos. Ao nosso redor, nos observavam e nos tocavam. Eu já tinha pressentido. Se não fosse pelo vício do jogo que estávamos ali, seria pelo vício de alguma perversão sexual. Não fiquei surpreso quando a biblioteca da sala revelou ser uma passagem. Deparamo-nos com um enorme quarto, com uma cama bizarra, gigantesca, capaz de caber dez ou mais casais, conforme se acomodassem. Lívia foi despida pelos homens e eu pelas mulheres. Uma grande suruba estava pronta para explodir. Toparia, para ter Lívia, mas não queria nenhum homem me tocando. Havia quatro pinos de madeira ao centro do colchão forrado com lençol de seda, certamente para amarrar alguém. Não sabia quem. Ao raciocinar que poderia ser eu, fiquei sem ação, mas logo me entregaram um pequeno pedaço de corda. Cada homem tinha o mesmo nas mãos. Soube por suas pupilas dilatadas, de prazer e loucura, que Lívia seria a atada. Amarramos suas mãos e pés, as mulheres beijavam sua vagina e depois sua boca, deitaram-se ao lado, e abusaram de seu corpo, enfiando os dedos em todos os orifícios erógenos. Ela tentava se soltar da corda. Não entendi muito bem o jogo, por que então se deixou ser amarrada? Todos estavam de pau duro, formando uma fila, e se preparavam para penetrá-la. Para mim, aquela situação era nova e, talvez, um pouco perversa. Receoso de, indevidamente, opor-me a algo, segui as regras. Estava excitado, não podia negar, e tiraria proveito também. O rapaz mais jovem começou a foder Lívia. Currou-a bastante até que a namorada enfiou o dedo no cu dele, para que gozasse. Os gritos de Lívia eram intensos. Nunca tinha visto uma mulher sentir tanto prazer, ainda mais naquela circunstância. Parecíamos entorpecidos de tesão pela submissão feminina que ali se personificava. A anfitriã começou a chupar meu pau, e o marido dela estava com o seu dentro da boca de Lívia. Se me chupasse mais um pouco, eu iria gozar. Empurrei-a. Mesmo indignada com a minha falta de delicadeza, não perdeu a compostura. Chupou intensamente a garota mais jovem que, ao invés de gozar, mijou nela, se esbaldando de alegria. O marido bateu o pau no rosto de Lívia e ejaculou entre seus seios. Com outro diferente pau em sua boceta, Lívia soluçava e dizia: "Não, eu não quero, não me machuquem, eu não tive a intenção". Esbofeteada, gemeu com prazer, quis avançar naquele que cometeu a atrocidade, mas sua esposa me disse baixinho: "Ela é que quer, é assim que ela consegue gozar, se a ama, deixe as coisas como estão". E começou a beijar-me, a me bolinar. Pediu para que enfiasse todos os dedos em seu rabo. Sem restrições, foi o que fiz, mas, antes, ela se posicionou à frente de seu marido, que vendo o que eu fazia, deu mais duas e gozou. Depois da bacanal, no lençol, um cheiro forte e selvagem daqueles corpos estendidos, após seus orgasmos. As paredes estavam úmidas. O mordomo entrou no quarto trazendo toalhas alvas, água, champanhe e caviar. Foi acompanhado pelos convidados a uma saleta acoplada ao quarto, e fecharam-se em seu clã. Apenas restamos Lívia e eu. Desatei os nós e libertei seus pulsos, machucados pela corda. Umedeci a tolha na champanhe e passei por todo seu corpo. Sabia que não deveria sentir, mas estava num estado profundo de compaixão. Queria ser terno e suave com Lívia. Ela bateu uma punheta até meu pau ficar duro e colocou-me a camisinha. Cobri-a de carinhos, beijei-a delicadamente e a amei. Um frio na barriga tomou conta de mim. Ouvi harpas, sem saber de onde vinha o som, provavelmente de minha cabeça. Apenas a penetrando e beijando, provei que um ato simples poderia proporcionar-lhe prazer. Gemendo baixinho, gozamos juntos. Acomodada em meu peito, sorria. Agora a reconhecia, via candura em seus olhos e sentia-me estranha-mente feliz. Na volta, no carro, um elo sincero de carinho se fez entre nós. Lívia mostrou sua gratidão e cumpriu o prometido. Antes de deixá-la em casa, contou-me a verdade sobre a festa de sua formatura. Era fato. Doze garotos, numa mesma noite, depositaram seu esperma em suas entranhas. Mas não foi consensual. Amarrada, à força, à mesa do professor, sem ter como se defender, foi brutalmente violentada. Antes de desmaiar, viu, à espreita, pelas janelas, os olhos de suas amigas, cúmplices do estupro, às gargalhadas. Na época, não quis denunciar, pois se sentia culpada por sua ingenuidade. Hoje, sabia que não tinha culpa, mas era tarde demais. Fez terapia e tentou, em vão, ser uma pessoa dentro dos padrões normais, mas a única maneira de sentir prazer era reproduzindo sua primeira orgia sexual universitária. A diferença é que agora ela queria, tinha prazer e gozava. Perguntei: - Por que você escolheu a mim, essa noite? - Foi aleatório. - Mas sou especial? Ela não respondeu. E sorriu deliciosamente. ( CONTO RELATADO por ?)

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